sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

CRÔNICAS RODRIGUEANAS II

23 – XII - 2010 d. C.
Campo Grande Corumbá  Porto Quijarro (trem da morte) (de morte não tem nada)

Ao chegarmos à rodoviária de Corumba, atrasamos nosso relógio em mais uma hora, resolvemos nos dividir para tomar um banho gelado por um real. O banheiro era muito sujo, por isso muitos desanimaram de tomar o banho. As portas do banheiro não tinham trincos, o que gerou certo constrangimento aos que estavam fazendo o numero 2, pois receberam a surpresa de algum usuário querendo usar o vaso (meu toroso foi cortado na metade e por causa do susto não consegui terminar de obrar ate agora).
Descobrimos que existiam duas opções para chegarmos a fronteira (20 quilômetros), uma indo por R$ 2,50 de ônibus fazendo baldeação em outro ônibus no centro de Corumbá e a outra, a que preferimos, de táxi por R$ 30,00. Na fronteira do lado brasileiro tivemos que pegar uma fila de meia hora para pegar o visto de saída do Brasil, chamou nossa atenção alguns soldados, de boinas vermelhas, muito bem aramados, com toda uma parafernália de equipamentos. Os carros e os transeuntes que passam pela fronteira, não são revistados (caminho de muitas drogas e armas para o território brasileiro). Caminhos cerca de uns 40 metros ate a fronteira boliviana, onde esperamos por cerca de mais 1 hora em uma fila para entrarmos em um escritório muito quente, com mais vinte que migravam. Recebemos o visto turístico após algumas perguntas como: Com quanto em dinheiro estamos? Para onde íamos? Quanto tempo?... Percebemos que o policial da fronteira faz muito mais perguntas as mulheres (de qualquer idade!), não entendemos o por que (coitada da Erica). Conseguimos um táxi por R$ 10,00 ate a Estação Ferroviária de Porto Quijarro. Isso já eram umas 10 horas, o fuso horário já começou a nos enlouquecer.
Que calor. Sentíamos os miolos a queimar. Estava muito abafado que dificultava nossa respiração. Conseguimos passagem para o trem das 16 horas. Novamente teríamos que enrolar por cerca de 8 horas.
Conseguimos cambiar com algumas pessoas ao redor da rodoviária, descobrimos posteriormente de um mercador próximo oferecia valores melhores para a convenção das moedas. O Felipe recebeu de volta uma nota de R$ 20,00 que tentou trocar pois esta estava com um pequeno corte em sua beirada (??).
Ao caminhar pela rua de frente a estação, encontramos algumas pousadas e restaurantes.
Ao caminharmos pelas ruas paralelas, vimos muita pobreza. Parecia a 25 de marco, lotada de camelos, vendendo roupas, utensílios, frutas... pequenas vendas por toda a parte. Em sua maioria estas tinham poucas mercadorias. Várias fazem espetinhos de churrasco (mistos e bem caprichados) com um acompanhamento de arroz com salada por R$ 3,50, somente eu me arrisquei a comer. Logo em seguida encontramos um “açougue” (era uma venda que também vendia carne) o que me fez arrepender-me de ter comido aquele espetinho. A carne ficava exposta pendurada por ganchos sobre em balcão de madeira, sem refrigeração e coberta de moscas. No chão da calcada estavam expostas quatro pernas de vacas, empilhadas e sangrando. Encontramos um restaurante que servia um yakisoba (na verdade um macarrão meio cru com shoyo, acompanhado com carne ou frango, depois do açougue, quase todos optaram pelo frango). Pedimos uma cerveja que não apreciamos muito, aguada.
Ao retornarmos a estação, alguns preferiram ir a lan house para mandar alguns e-mails e outros preferiram fugir do calor em busca de alguma sombra. A Fernanda ao retornar a estação percebeu que esqueceu a câmera fotográfica ao lado do computador, o André e esta correram para a lan house, mas a câmera já tinha criado asas. Ficou muito triste. No caminho encontrou um amigo, Mota, que fizemos na fronteira que retornava do Brasil. Ao ouvir a historia da câmera, ficou comovido, resolveu emprestar sua câmera pessoal para que essa postasse por sedex posteriormente ao retornar a Bragança. Uma atitude mutcho loka de desapego e confiança.
Já se davam 16 horas e embarcamos no trem, muito confortável, maravilhoso o ar condicionado (ufa, que alivio sentimos do calorão). As poltronas são reclináveis, muito cômodas. Cada vagão tem duas televisões que passam vários filmes (legendados em espanhol, adorei isso, esperar o que estando na Bolívia, rs). O vagao restaurante também e muito confortável, todos atendem muito bem. Conhecemos dois amigos que estão viajando juntos (Iago e Jangol) e estes decidiram juntarem-se ao nosso grupo para seguir viagem conosco. Em cada um dos 9 vagoes, vamos fazendo novas amizades. Nas paradas algumas crianças entram no trem oferecendo tamarindo e pratos de arroz com banana doce. Comemos uma fruta diferente, que nenhum de nos esta lembrando o nome da danada, mas e parecida com uma ameixa, mas muito mais deliciosa.
Enquanto escrevo estas linhas, todos os outros já estão dormindo. O Marcelo esta dando uns roncos tão profundos que não sei ao certo se o computador esta tremendo por causa do movimento do trem ou da aspiração de seus roncos. O Roberto esta enrolado no saco de dormir, com um boné na cabeça, com a boca aberta, com uma baba esverdeada a escorrer pelo canto da boca. A Erica esta toda embrulhada no saco de dormir, não da nem para ver o rosto da japinha, vou dar uma olhada para ver se não morreu de asfixia. O Felipe já bodiou no sono há muito tempo. A Fé esta abraçada com o André, mas o André que esta usando o ombro da Fernanda como travesseiro para dormir. Já o Ed estava falando dormindo e acordou assustado. Vou chupar mais uma manga e tentar dormir, acho que chegou minha vez.
Obrigado Senhor pelo maravilhoso dia que nos concedeu...
Obs.: Ainda não encontramos nenhum argentino, mas corintiano é o que não falta ;)

Um comentário:

Rogerio disse...

Aeeeeeeeeew, moçada.
A crônica está ótima (ao estilo Rodrigueano).
Particularmente, senti calor e o trem estava sacolejando muito enquanto lia essas linhas.
Êta sono pesado!
Eca! Que baba nojenta!
Tambem fiquei triste com a máquina surrupiada, mas tambem feliz porque este tal Mota emprestou a dele. Sinal que boas pessoas se aproximam deste grupo.
Será que a baba nojenta que o Robertão estava regurgitando não era a parte do tempero (alguma lagarta, talvez?) do molho de shoyu? RsRsRsRs...

Aproveitem muito nesta viagem da vida de vocês.

Embriaguem-se. Mas com as paisagens, os humanos locais e os não-humanos tambem (RsRsRs...), a cultura de cada região e a parceirada; o Amor Fraternal é uma das situações mais importantes a se considerar.
Apoiem-se.

" UM POR TODOS E TODOS POR UM "
(não me lembro onde ouvi isto!)
RsRsRsRs....

Deus os acompanhe. Sempre!

Um grande abraço e beijos fraternais a todos vocês, Corajosos e Intrépidos Professores.

RodriguesQficaramAki